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domingo, 13 de novembro de 2011

Orientando às mães enquanto mulheres: a importância da realização do exame preventivo de câncer de colo do útero durante o pré-natal


Orientando às mães enquanto mulheres: a importância da realização do exame preventivo de câncer de colo do útero durante o pré-natal
A gravidez apresenta-se como uma excelente oportunidade para a prevenção de câncer do colo do útero, visto que, para muitas mulheres, a assistência pré-natal é o único conato com o sistema de saúde. No entanto, o que se vê na prática é que a oportunidade de fazer essa avalia­ção no pré-natal não está sendo bem aproveitada.

Introdução
O artigo “Perdas de oportunidades na prevenção do câncer de colo uterino durante o pré-natal” de Gonçalves et al trata de uma pesquisa sobre a cobertura do exame preventivo de câncer de colo do útero no pré-natal. O câncer do colo uterino é a segunda neoplasia mais frequente nas mulheres em todo o mundo. No Brasil, em 2005, o câncer do colo uterino foi o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, em 2007, cerca de 95% dos casos ocorreriam nos países em desenvolvimento como o Brasil.
O câncer de colo do útero é uma doença de evolução lenta, cerca de 20 anos até se desenvolver em carcinoma invasivo, o que facilita o seu rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento. A principal causa de câncer de colo do útero é a infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano), um vírus transmitido durante as relações sexuais. O Ministério da Saúde recomenda que o exame preventivo de câncer de colo do útero seja realizado por mulheres entre 25 e 64 anos que iniciaram sua vida sexual. Após a realização consecutiva de dois exames normais, recomenda-se que o exame seja repetido a cada três anos.
As evidências atuais indicam que as gestantes apresentam chance três vezes maior de serem diagnosticadas com lesões que antecedem o câncer de colo do útero porque durante o acompanhamento pré-natal os exames ginecológicos são mais frequentes. Como a maioria dessas lesões não apresenta sintomas, seu diagnóstico quase sempre ocorre em consultas de controle. Segundo a OMS e o Ministério da Saúde, faz parte da rotina de assistência pré-natal a inspeção do colo uterino, a palpação bimanual e a coleta de exame citopatólogico (quando o último exame tiver sido realizado há 36 meses ou mais).
    
Materiais e métodos
Gonçalves et al realizou um estudo com 445 puérperas da cidade de Rio Grande (RS) em 2007 em que verificou-se a prevalência de gestantes com exame citopatológico do colo do útero atualizado, isto é, realizado nos últimos 36 meses; a freqüência de exame citopatológico realizado durante o pré-natal; e os fatores associados à não realização deste exame.

Resultados e Discussão
Entre as 445 puérperas incluídas nesse estudo, 424 (95,3%) referiam conhecer o exame preventivo do câncer do colo uterino, mesmo assim, no início do pré-natal, 193 mulheres referiram nunca terem sido submetidas ao exame citopatológico do colo do útero (CP) na vida. Das 252 pacientes que relatavam a realização do exame de CP em algum momento de suas vidas, 173 o tinham realizado há menos de 36 meses e 79 estavam com o exame desatualizado. Ao final do pré-natal, a prevalência do exame citopatológico atualizado entre as puérperas foi de 263, sendo que 160 das pacientes permaneceram sem nunca terem coletado o exame de citologia cervical e 22 puérperas continuaram com o exame citopatológico desatualizado.
Das 272 gestantes que nunca realizaram o exame e com citologia cervical não atualizada, 111 tiveram a coleta de CP ofertado pelos médicos pré-natalistas e, apenas, 90 realizaram-na. Entre as 21 gestantes que não realizaram o exame de CP no pré-natal, os motivos referidos foram: nove pacientes relataram medo de realizar a coleta por estarem grávidas, outras nove referiram dificuldades para agendar o exame e posteriormente terem que voltar à unidade de saúde para realizá-lo, duas apresentavam leucorreia (corrimento vaginal) no momento da coleta, impedindo a realização do exame, e uma teve medo de sentir dor durante a realização do exame.
As pacientes que realizaram o acompanhamento da gestação nos postos de saúde do SUS apresentaram prevalência de citologia atualizada no fim do pré-natal de 45,8%, enquanto as que o realizaram em consultórios privados ou na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a prevalência do exame citopatológico atualizado foi de 72,8%. A limitação do acesso aos serviços de saúde, por barreiras socioeconômicas, culturais e geográficas, também se apresenta como responsável pela baixa cobertura dos exames de prevenção ao câncer de colo do útero.

Conclusões
O gráfico abaixo resume o comportamento das puérperas frente a realização do exame preventivo de câncer de colo uterino no início e ao final do pré-natal. Como se pode perceber, o fato de a paciente ter realizado o acompanhamento pré-natal está associado à melhora na cobertura do exame citopatológico do colo uterino, de 38,9% no início do pré-natal para 59,1% ao final. Entretanto, o percentual de mulheres que permaneceram sem a realização do exame é alto, 36%, o que permite dizer que há espaço para a sensibilização e capacitação dos médicos pré-natalistas no sentido de orientar as gestantes quanto à importância da prevenção ao câncer cérvico-uterino e a possibilidade de realizá-la durante a gestação. Vale lembrar que o câncer de colo do útero é uma causa de morte evitável por ações efetivas do sistema de saúde.




FONTE: GONCALVES, Carla Vitola et al. Perdas de oportunidades na prevenção do câncer de colo uterino durante o pré-natal. Ciênc. saúde coletiva 2011; 16(5) p. 2501-2510.


Larissa Beatriz do Carmo Moreira
Acadêmica de Medicina-UFV do 4º período